Imigrante sem visto de trabalho vence processo por discriminação no Reino Unido

Fisherbeck Hotel (Imagem Facebook)





                 Uma mulher malaia que trabalhava de forma irregular no Reino Unido conseguiu vencer parte de um processo trabalhista contra o hotel onde atuava, mesmo sem possuir autorização legal para trabalhar no país.

                Erin Ong, ex-consultora da PwC, entrou no Reino Unido com visto de visitante em 2023 e passou a trabalhar no Hotel Fisherbeck, localizado na região de Cumbria, na Inglaterra. Segundo o tribunal trabalhista de Manchester, os proprietários do hotel sabiam que ela não tinha visto de trabalho válido.


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                Durante o período em que trabalhou no hotel, Ong afirmou que foi obrigada a realizar tarefas de limpeza envolvendo travesseiros de penas, edredons e produtos químicos, mesmo sofrendo de asma desde a infância. Ela relatou que as condições agravavam suas crises respiratórias e a faziam utilizar inalador várias vezes por semana.

                A imigrante também alegou que teve um pedido de licença médica negado após sofrer uma crise de asma. Além disso, o tribunal considerou discriminatório o fato de ela ter sido a única funcionária obrigada a apresentar o passaporte para receber pagamento.

                Apesar de reconhecer que o vínculo empregatício era ilegal por conta do visto de visitante, a Justiça britânica decidiu que isso não eliminava os direitos básicos de proteção contra discriminação.

                A juíza Susan Dennehy afirmou que as acusações de discriminação racial, sexual e por deficiência não estavam diretamente ligadas ao fato de Erin trabalhar sem autorização legal. Com isso, ela venceu parte da ação e poderá receber indenização, cujo valor ainda será definido.

                Por outro lado, alguns pedidos feitos pela trabalhadora foram rejeitados, incluindo reclamações relacionadas a salários atrasados, férias não pagas e demissão injusta. O tribunal entendeu que essas questões dependiam de um contrato de trabalho formal, considerado inválido por causa da situação imigratória dela.

                O caso ganhou repercussão no Reino Unido por levantar discussões sobre exploração de trabalhadores estrangeiros e os limites entre imigração irregular e direitos humanos no ambiente de trabalho.

                A empresa responsável pelo hotel, Yatson & Co, já havia sido multada anteriormente pelas autoridades britânicas por empregar trabalhadores ilegais.


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