A tailandesa que conquistou o Brasil com seu sotaque: entrevista com Yuko Tappabutt
A simpatia de Yuko conquistou o público brasileiro logo nas primeiras aparições na TV. Com um sotaque marcante, espontaneidade cativante e um carisma difícil de ignorar, a tailandesa ganhou destaque no MasterChef Brasil e não demorou para virar uma das figuras mais queridas da temporada
e da história do reality.
Mas por trás do jeito leve e divertido, Yuko carrega uma história de coragem, adaptação e paixão por novas culturas. Nesta entrevista exclusiva ao Rolê com Roger, ela abre o jogo sobre como foi participar de um reality show no Brasil, revela se ainda mantém contato com os colegas de confinamento e compartilha bastidores.
E tem mais: Yuko também dá dicas valiosas para quem sonha em conhecer a Tailândia desde costumes locais até experiências que realmente valem a pena. Tudo isso com o olhar autêntico de quem vive entre duas culturas e transformou o próprio sotaque em marca registrada.
Uma conversa leve, inspiradora e cheia de boas histórias do jeitinho que a gente gosta.
Roger - Até hoje você é uma das participantes mais queridas do MasterChef Brasil. Você ainda sente esse carinho nas ruas, mesmo depois de tanto tempo?
Yuko - Obrigada que me chama de mais querida! Na verdade, carinho na rua sempre tem, nunca falta. Acredita que pessoas me lembra, porque o Masterchef sempre sai o momento importante, corte, clipe, vídeo de um minuto que posta nas redes sociais e tem também vídeo que é meme.
Roger - Ainda tem gente que fala sobre sua participação?
Yuko - Tem! Tem direto. Agora ainda, trabalhei em um evento que pessoas me fala, tipo: 'Adoro você, torci por você, porque quando as pessoas não assistem ao vivo na televisão, pessoas assistem no Youtube. Tem pessoas que assistem até 2025, acabou de assistir agora, então sempre tem um fã novo.
Roger - E hoje o programa também está disponível na HBO Max. Você acha que esse carisma incrível que você tem foi um dos motivos desse sucesso todo?
Yuko - É muito bom saber que as pessoas não só lembram de ganhadores do Masterchef, pessoas fofas também, pessoas que dá alegria pra programa.
Roger - Naquela época, qual foi a maior dificuldade durante a sua participação: o idioma ou os ingredientes? Você levava muita leveza ao programa, era sempre divertido te ver, mas o idioma chegou a ser um desafio em algum momento?
Yuko - Quando fala sobre dificuldade eu tenho tudo! (risos). Além
de língua, ingredientes... Porque ingredientes a parte engraçado é que depois que você fica mais semana dentro do programa, você começa pegar dica. Dica que você aprendeu mesmo por exemplo: Ingredientes que a gente sempre tem que pegar é ovo, manteiga, uma coisa alcoólica, né? Tipo cachaça, vinho e pessoas me chamam tipo: 'Yuko cachaceira' (rindo), sabe? Mas parte mais difícil mesmo no programa é pessoas aceitar você.
A influenciadora relembra um momento de dificuldade vivido durante o programa da Band.
Yuko - Por exemplo, tem muita prova em equipe não é? Eu sou última escolhida. Na verdade não é última escolhida é ninguém me escolheu, por isso eu sou última... E ninguém me escolheu, eu fico triste mesmo, triste de verdade, por quê? É prova de comida brasileira e pessoas não acreditam que eu sou o parte que pode ajudar no processo de cozinhar. Então as pessoas não me escolheu.
Roger - E você ainda tem contato com eles ainda, com seus colegas de Masterchef?
Yuko - Eu tenho contato sim!
Por exemplo, eu ainda converso com Aderlize, ainda sigo nas redes sociais sobre a vida dos outros, sabe? Eu ainda tenho contato, eu sigo nas redes sociais as pessoas da minha temporada. E também fora da minha temporada até Raquel do Masterchef também me seguia, o Leo... O Masterchef é uma família que você conhece e pessoas tem a mesma paixão por gastronomia e isso é muito bom!
Roger - Você é professora de inglês. Como foi aprender português? Eu quero ir para a Tailândia no ano que vem (risos), mas até agora não consegui falar nem um ‘bom dia’ (risos). Foi difícil? Ou o fato de ser professora de inglês ajudou um pouco?
Yuko - Quero dizer que inglês é uma língua internacional. Inglês a gente não usa para medir inteligência de alguém, até você não fala inglês, não quer dizer que você não é habilidoso. Em inglês quando você quer comunicar com alguém, você também tem que saber se aquela pessoa, qual o nível de inglês dela. Se você fala e consegue se comunicar, até com inglês não tão bom, com gesto de mão, gesto de rosto, se você conseguiu comunicar, você fez sucesso em comunicação.
Yuko encoraja pessoas que estão apredendo uma nova língua.
Yuko - Toda língua, não é só inglês, tá bom? Se você quer praticar, você tem que passar vergonha primeiro! Passar bastante vergonha! Fala alguma coisa, fala coisa que você aprendeu talvez errado. Talvez está certo, mas depois você passa tanta vergonha e você vai aprender!
Roger - E você passou muita vergonha com o português no início?
Yuko - Que pergunta! (risada) Por isso eu sou fluente agora, eu passei tanta vergonha! Por exemplo: Eu lembro situação mais difícil na minha vida. Quando você conversa pessoalmente é fácil, mas difícil é ligação no telefone, porque você não viu o rosto da pessoa, você não viu a mão da pessoa. Um dia a pessoa me perguntou: 'Yuko você não quer vir aqui na Zona Sul (São Paulo), tem um um evento cinco horas da tarde'. Mas eu falei: 'Oi, cinco horas da tarde é muito trânsito né? Eu não gosto de trabalho no horário de 'pica'. E todo mundo ria, mas eu falei: 'o que eu falei de errado?'. Ela só pedia desculpas.
Yuko - Quando eu quero falar português só tenho três opções, termina com o, com a, ou com é. Por exemplo: pode ser pouco, pica ou pique. Eu escolho pica, horário de pica (risada).
Yuko - Existe cultura do beijo também! Porque em São Paulo é um beijo, no Rio de Janeiro dois beijos, né? E eu não sei qual lado eu tenho que beijar primeiro. Teve uma vez, eu quero falar oi com um homem, eu quase beijo ele no boca, deu uma confusão totalmente (risos). Eu gosto desse abraço e beijo no rosto, eu acho uma cultura bem alegre, bem receptivo. Também o WAI é legal e abraço e beijo no rosto é mais legal!
Roger - A culinária também é bastante diferente. Quando você chegou ao Brasil e conheceu os nossos pratos, qual causou mais estranheza? E qual você mais gostou e ainda consome até hoje
Yuko - Eu gosto muito que conheci aqui no Brasil estrogonoff. Eu gostei dessa comida que tem batata palha em cima, amei sabe? Eu gosto de feijoada também! Eu gostei daquele feijão tropeiro, várias comidas. Até acarajé, eu sou fã de acarajé, se faz bem frito, eu gosto de fritura.
Yuko cita o modo de comer como diferencial entre os dois países.
Yuko - E a cultura diferente que eu vejo aqui além do nível de pimenta, diferente tá bom? Povo na Tailândia, o nível de pimenta é super diferente é mais alto, mas a maneira de comer....
Por exemplo: Lá na Tailândia, tem colher e garfo, aqui tem faca e garfo e colher. Parece que você tem que colocar logo tudo no seu prato, mas a Tailândia você põe comida no meio, um colher e come com arroz e põe no seu boca e você vai e pega outra comida. Você não põe todo comida logo no seu prato é o jeito de comer que é diferente.
Roger - Falando sobre a Tailândia, para quem está planejando viajar para lá e vai ler esta entrevista: o que essas pessoas não podem deixar de experimentar? Algo que, se não provar, é como se nem tivesse ido ao país?
Yuko - Eu acho que tem que experimentar a salada de mamão verde. Em tailandes chama 'Som Tam' (foto ao lado). É salada de mamão verde. Tem vários estilos. Você vai encontrar o seu favorito, por exemplo: O Som tam no central tem um sabor, no nordeste tem outro sabor. Esse salada de mamão verde come todo dia.Número 2: Comida internacional que todo mundo conhece é o 'Pad Thai', (foto ao lado) tá bom? Número 3: Eu vou pular para a parte do café da manhã. Café da manhã na Street Food, ele tem o, chamado porco grelhado, espetinho com arroz cru dentro. Experimente esse três.
Roger - Eu sempre falo nas minhas redes para as pessoas que vão viajar para outros países ou estados experimentarem os pratos típicos, porque eles dizem muito sobre o lugar. Você concorda? Acha que isso é essencial?
Yuko - Pessoas só pensam em viajar em vê lugar. Ver local... mas eu acho que cultura tem muita coisa... Tem língua, gastronomia, morador, lugar de passeio e tradição, até religião. Muita coisa vira uma cultura! Então que mais você absorver dentro do país, até comida ou pessoas, você vai entender melhor aquela cultura. Isso é charme especial na Tailândia!
A gente nunca foi colonizada, nossa língua é diferente, nossa comida tem sabor autêntica, nosso povo são sorridente. Eu acho que... abre seu coração, experimenta coisa local, faz amizade com morador, pessoas local, nativo. Tenta se comunicar em tailandês isso é um charme de passeio.
Roger - Desde a sua participação no MasterChef Brasil, você tem sido muito requisitada para feiras e já viajou para vários lugares pelo país. Recentemente, esteve no Suriname. O que não pode faltar na sua bagagem
Yuko - A minha mala não pode faltar adaptador. Adaptador universal e também não pode esquecer dinheiro. Eu vou falar uma coisa (risos), dinheiro resolver tudo problema (gargalhada). Cartão de crédito, WISE... Certificado de vacina amarela. Querendo ou não, uma bagagem, você tem que preparar tudo. Estuda antes e tal... roupa sempre pensa, em roupa confortável (risos), leva cabeça boa, sorriso pra fazer amizade.
Roger - Quando você está fora da Tailândia, do que você mais sente saudade? E, falando principalmente de alimentação, tem algo que você costuma trazer?
Yuko - Para falar verdade coisa que eu tenho mais saudade é meu pai e minha mãe, eu sempre ia lá (risos) para visitar. Agora coisa que eu trouxe pro Brasil é utensílios tailandês. Por exemplo: aroma da Tailândia, chá da Tailândia, muita coisa que não tem no Brasil.
Roger - Os doramas e as novelas (Tailândia) são sucesso aqui. Quando você chegou... Nossa paixão também é novela, assistiu? Gostou de alguma?
Yuko - Eu só assisto novela da Tailândia!
Roger - Então você não perdeu o hábito de assistir as novelas tailandesas?
Yuko - Porque novela e série traz moda e eu não quero perder moda. Moda nesse caso é moda de gíria, moda de pensamento, moda de notícia, tudo... Eu não quero perder coisa da Tailândia!
Roger - No seu Instagram você mostrou o 'Chud Tai' (imagem ao lado) que é uma roupa típica da Tailândia e que recentemente entrou para a lista representativa do Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade da Unesco. Conta para nós como ele é usado. Se usa no dia de festas ou no dia a dia?Yuko - Chu Tai, agora pessoas usa no casamento, na cerimônia, na festa, no dia a dia. Se você quiser pode andar no templo. Quando você vai para o templo você usa o Chu tai, entendeu? Festa de governador.
(São celebrações importantes)
Yuko - A gente usa muito Chu Tai, mas não é tipo, dia a dia. Porque o Chu Tai que a Unesco colocou pra gente é o Chu Tai que o rei usa no palácio, mas a gente tem muita tribo. Por exemplo: Você conhece aquela mulher girafa? É uma tribo que tem outro estilo de roupa tailadês.
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| Mulheres da etnia Kayan “A cultura que a entrevistada menciona...” |
Yuko - Então tailandês tem várias roupas tradicionais, são oito estilos que Unesco conseguiu cadastrar pra nós.
Roger - Eu abri perguntas para você e a maioria menciona sobre as praias da Tailândia. E as praias tailandesas estão entre as mais bonitas do mundo. Como é a questão de preservação? E quais você indicaria?
Yuko - Para pessoas que gostam de aproveitar praia tem que estudar regras, tá bom? Por exemplo: Tem praia que você não pode entrar na água, tem praia que você não pode pegar peixe. Por exemplo: tem pessoas que pegam peixe com sacolade praia (risos).
Roger - Com sacola?
Yuko - Tem turista que está fora de cabeça, ele vê o peixe nadar perto dele, ele quer tirar foto, né? Então põe peixe na sacola, levanta e tira foto.
Roger - E tem muitos turistas que vão e não sabem dessa regra né? Não pode!
Yuko - Isso! Tem que respeitar as regras. Lembra da moça brasileira que o macaco mordeu ela?










