Veja os planos do 4º governo Lula para o turismo: Brasil bateu recorde de visitantes estrangeiros e quer ampliar promoção internacional
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| Os planos do Governo Lula 4 para o turismo |
O Brasil bateu recorde de entrada de turistas internacionais em 2025 e quer ampliar a presença no mercado mundial de viagens. Entre os objetivos do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva está intensificar a promoção dos destinos brasileiros no exterior, além de estimular o turismo nacional, desenvolver novas experiências para os visitantes e fortalecer a atividade como fonte de emprego e renda.
O programa de governo para o período de 2027 a 2030 apresenta propostas que envolvem desde a divulgação do Brasil em outros países até a valorização de áreas naturais, da cultura e da gastronomia. A intenção é ampliar as oportunidades para diferentes regiões e aumentar a participação do turismo na economia brasileira. Segundo dados divulgados pela Embratur, pelo Ministério do Turismo e pela Polícia Federal, o Brasil recebeu 9.287.196 chegadas de turistas internacionais em 2025, aproximadamente 9,3 milhões. O resultado representou crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior e superou o recorde anterior, registrado em 2024, quando o país recebeu cerca de 6,8 milhões de visitantes internacionais. O resultado também superou o volume registrado em 2019, antes da pandemia de Covid-19. Naquele ano, o Brasil havia recebido aproximadamente 6,4 milhões de turistas internacionais. O desempenho mostra a dimensão que o turismo internacional voltou a alcançar no país. Além de movimentar hotéis, restaurantes e atrações turísticas, a chegada de visitantes estrangeiros gera demanda por transporte, passeios, comércio, serviços e atividades culturais. Argentina lidera a lista de países que mais enviam turistas ao BrasilA Argentina foi, com ampla vantagem, o principal mercado emissor de turistas internacionais para o Brasil em 2025. Foram aproximadamente 3,39 milhões de chegadas de visitantes argentinos, um aumento de 72,8% em comparação com 2024. Na segunda posição aparece o Chile, com 801.921 chegadas, seguido pelos Estados Unidos, com 759.637. O Paraguai ocupou o quarto lugar, com 528.554 visitantes, enquanto o Uruguai ficou em quinto, com 524.729. Os números mostram a importância dos países vizinhos para o turismo brasileiro. A proximidade geográfica e a possibilidade de viajar por avião ou por via terrestre ajudam a explicar a força dos mercados sul-americanos. A lista também revela oportunidades para ampliar a divulgação do Brasil em mercados mais distantes. Países europeus, como França, Portugal, Alemanha e Itália, também aparecem entre os principais emissores de visitantes. Para o turismo brasileiro, atrair pessoas de diferentes países pode ajudar a diversificar a demanda e reduzir a dependência de um único mercado. A estratégia, entretanto, precisa considerar as características de cada público, a conectividade aérea, os custos da viagem e os interesses dos visitantes. Promoção internacional está entre as prioridadesUma das principais diretrizes do plano de governo é ampliar a promoção internacional do Brasil. A proposta é intensificar a divulgação dos destinos brasileiros no exterior para atrair mais visitantes e fortalecer a presença do país no mercado turístico mundial. O Brasil tem uma oferta diversificada, que inclui praias, florestas, parques nacionais, cidades históricas, festas populares, gastronomia regional e grandes eventos culturais. A proposta de promoção internacional pode ajudar a apresentar essa variedade a pessoas que ainda conhecem pouco o país ou que associam a viagem ao Brasil a apenas alguns destinos tradicionais. Na prática, uma divulgação mais direcionada pode beneficiar estados e municípios que desejam conquistar visitantes estrangeiros. Campanhas internacionais, participação em feiras de turismo e ações com operadores e agentes de viagem podem ajudar a tornar esses destinos mais conhecidos. A Embratur já desenvolve uma estratégia de promoção internacional por meio do Plano Brasis, que orienta ações de marketing turístico para diferentes mercados e unidades da Federação. O plano prevê ampliar o fluxo de visitantes, diversificar os mercados emissores e distribuir melhor os benefícios econômicos do turismo. A continuidade e o fortalecimento desse tipo de estratégia podem beneficiar hotéis, pousadas, guias, restaurantes, agências de viagem, transportadores e pequenos empreendedores. Entretanto, atrair mais turistas não depende apenas de publicidade. A conectividade aérea, a infraestrutura, a segurança, a qualidade dos serviços e os preços praticados nos destinos também influenciam a decisão de viajar. Turismo regional pode ganhar espaçoO programa de governo também prevê apoio ao desenvolvimento de destinos regionais, com o objetivo de ampliar a participação do turismo na economia brasileira. A proposta abre espaço para que localidades fora dos roteiros mais conhecidos conquistem maior visibilidade. Isso pode beneficiar cidades que possuem atrativos naturais, patrimônio histórico, manifestações culturais ou experiências gastronômicas, mas ainda recebem um fluxo relativamente pequeno de visitantes. Quando o turismo cresce de maneira planejada, os efeitos podem chegar a diferentes setores da economia local. Além da hospedagem e da alimentação, a demanda pode movimentar o comércio, os serviços de transporte, o trabalho de guias e a produção de artesanato. Outro possível benefício é a distribuição da renda turística entre mais municípios. Em vez de concentrar visitantes em poucos destinos, o país pode estimular viagens para outras localidades e ampliar as oportunidades de negócios. O programa, porém, não apresenta, no trecho dedicado ao turismo, uma relação completa de cidades prioritárias nem valores específicos de investimento para cada região. A execução dependerá de medidas e projetos que ainda precisarão ser definidos. Roteiros de gastronomia, cultura, arte e ecoturismoOutra proposta é desenvolver e promover roteiros turísticos temáticos. O programa cita experiências relacionadas à gastronomia, à arte, à cultura e ao ecoturismo. A ideia é ampliar as razões pelas quais os visitantes escolhem determinado destino. Uma cidade pode atrair turistas por sua culinária, por festas tradicionais, por sua história ou por atividades ligadas à natureza, sem depender exclusivamente de praias e grandes atrações. Os roteiros gastronômicos, por exemplo, podem valorizar pratos típicos, produtores locais, mercados e restaurantes. Já os roteiros culturais podem reunir museus, centros históricos, manifestações populares e eventos artísticos. No ecoturismo, a proposta pode abrir oportunidades para atividades em áreas naturais, desde que sejam respeitadas as regras de conservação e a capacidade de cada localidade de receber visitantes. Para pequenos negócios, a diversificação pode representar uma oportunidade de ampliar a clientela e criar serviços voltados a públicos específicos. Também pode ajudar a distribuir as visitas ao longo do ano, embora esse resultado dependa da organização dos destinos e da procura efetiva pelas experiências oferecidas. O programa não apresenta uma lista de roteiros que serão lançados nem um calendário de implantação. Portanto, a proposta indica uma direção para a política turística, mas ainda não representa o anúncio de novos circuitos com datas definidas. Parques nacionais e reservas naturais entram na estratégiaO plano também prevê avançar na valorização dos 75 parques nacionais mencionados no documento, associando turismo sustentável, conservação ambiental, desenvolvimento regional e educação ambiental. Outra medida é incentivar a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, conhecidas como RPPNs. São áreas privadas reconhecidas formalmente como unidades de conservação, destinadas à proteção da natureza. A valorização dessas áreas pode ampliar o espaço para experiências relacionadas à biodiversidade, à observação da fauna e da flora e à educação ambiental. Quando realizadas de forma responsável, essas atividades podem gerar oportunidades econômicas para as comunidades próximas e estimular a conservação dos ambientes naturais. O potencial é relevante para o Brasil, que reúne biomas e paisagens diferentes, mas transformar esse patrimônio em uma oferta turística exige planejamento, acesso adequado, estrutura de visitação e proteção ambiental. O documento, entretanto, não apresenta um cronograma de obras para os parques nem determina quanto será investido individualmente em cada unidade. A proposta é valorizar essas áreas e aproximar sua conservação do desenvolvimento sustentável. Fungetur e apoio aos empreendedoresO financiamento do setor também aparece no balanço apresentado pelo programa de governo. O documento informa que o Fundo Geral do Turismo, conhecido como Fungetur, apoiou mais de 6 mil operações e mobilizou R$ 2,8 bilhões durante o mandato anterior. O fundo oferece mecanismos de financiamento para empreendimentos turísticos, conforme as linhas disponíveis e as condições de cada operação. Os recursos podem ser utilizados, entre outras finalidades, para obras, ampliação, modernização, reformas e capital de giro. A continuidade do apoio financeiro pode ser importante para empresas que precisam melhorar suas instalações, ampliar a capacidade de atendimento ou organizar o funcionamento do negócio. Pousadas, hotéis, agências e outros empreendimentos ligados ao turismo podem se beneficiar de condições de crédito adequadas, desde que atendam aos requisitos aplicáveis. É importante observar, contudo, que os R$ 2,8 bilhões citados no documento são apresentados como resultado do período anterior. O trecho analisado não estabelece uma nova meta de recursos do Fungetur para 2027 a 2030. Portanto, ainda não é possível afirmar quanto dinheiro estará disponível no próximo mandato ou quais serão as condições futuras de financiamento. Quanto os turistas estrangeiros deixam na economia brasileira?Além do número de visitantes, outro indicador importante é o dinheiro que eles gastam durante a permanência no Brasil. Em abril de 2026, a Embratur informou que a receita gerada pelo turismo internacional havia alcançado US$ 10,4 bilhões em 2025, segundo a série de dados que a agência divulgou com base nas informações do Banco Central. O valor representou um aumento de 23,8% em relação a 2024, de acordo com essa atualização. É importante identificar a fonte e a data de cada divulgação porque os números publicados anteriormente para as receitas do turismo internacional foram diferentes. Em janeiro de 2026, por exemplo, a Secretaria de Comunicação Social havia informado cerca de US$ 7,9 bilhões com base nos dados então divulgados pelo Banco Central. A Embratur publicou posteriormente a cifra de US$ 10,4 bilhões. Para esta matéria, o dado mais recente localizado na divulgação da Embratur é o de US$ 10,4 bilhões. A diferença entre as duas publicações merece ser considerada ao comparar séries históricas, para evitar que números de bases ou atualizações distintas sejam apresentados como se fossem a mesma apuração. O dinheiro gasto pelos visitantes estrangeiros circula por diferentes atividades, incluindo hospedagem, alimentação, transporte, passeios, comércio e serviços. Isso significa que os efeitos do turismo não ficam restritos às empresas que recebem diretamente os visitantes. Quando o setor cresce, pequenos negócios também podem se beneficiar, desde que consigam atender à demanda. O desafio é fazer com que o aumento de visitantes seja acompanhado por infraestrutura, qualificação profissional, preservação ambiental e serviços de qualidade. O que ainda falta definir no quarto governo Lula?O programa de governo apresenta diretrizes para ampliar a promoção internacional, desenvolver destinos regionais, incentivar roteiros temáticos, valorizar parques nacionais e manter o turismo como instrumento de desenvolvimento econômico. Mas o documento não detalha, nessa parte, um orçamento total para as medidas, um calendário completo de execução ou metas anuais para cada proposta. Também não apresenta uma promessa específica de redução dos preços das passagens aéreas. A ampliação da promoção internacional pode aumentar o interesse pelo Brasil, mas a chegada de mais visitantes dependerá de outros fatores, como a oferta de voos, os preços, a infraestrutura e as condições de cada destino. O principal desafio será transformar as diretrizes em ações concretas, com recursos, planejamento e participação dos estados, municípios e empresas do setor. O Brasil já demonstrou que pode alcançar números históricos na chegada de turistas internacionais. Para manter esse crescimento, será importante não apenas atrair visitantes, mas também melhorar a experiência de quem chega, ampliar a oferta de destinos e fazer com que os benefícios econômicos alcancem diferentes regiões do país. |
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