Brasileiros são 30% dos imigrantes em Portugal, e pedidos para voltar ao Brasil aumentam 52%


 


                Portugal continua sendo um dos principais destinos de brasileiros que decidem viver fora do país. A comunidade brasileira é hoje a maior entre os estrangeiros que vivem em território português e representa cerca de 30% do total de imigrantes. Ao mesmo tempo, um outro dado chama atenção: aumentou em 52% a média mensal de brasileiros que procuram o programa de Retorno Voluntário da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para deixar Portugal e voltar ao Brasil.

                Os números da OIM mostram que 470 brasileiros haviam se inscrito no programa até julho de 2026. A média mensal passou de 44 solicitações em 2025 para 67 neste ano. No mesmo período, 210 brasileiros efetivamente retornaram ao Brasil com apoio do programa.

VDP - AEREO NACIONAL                

                 O dado, porém, precisa ser entendido com cuidado. Isso não significa que 52% dos brasileiros que vivem em Portugal estejam deixando o país ou que essa parcela queira voltar ao Brasil. O programa da OIM atende especificamente migrantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica que desejam retornar e não têm condições de arcar sozinhos com a viagem. A situação migratória regularizada ou não, por si só, não impede a solicitação.

                Ainda assim, o contraste chama atenção. Até julho, os brasileiros correspondiam a aproximadamente 78% dos 606 estrangeiros inscritos no programa de retorno voluntário em Portugal. Em outras palavras, embora representem cerca de 30% da população imigrante, os brasileiros são responsáveis por uma parcela muito maior dos pedidos de retorno registrados pela OIM.

                Por trás desses pedidos existem histórias bastante diferentes. Há pessoas que chegaram a Portugal sem emprego definido ou sem conhecer todas as dificuldades relacionadas à documentação e ao mercado de trabalho. Também existem brasileiros que chegaram de forma regular, com emprego e planos de construir uma nova vida, mas acabaram encontrando dificuldades para manter esse projeto diante do custo de moradia e das despesas do dia a dia.

                A moradia aparece entre os principais problemas. O aumento dos preços dos aluguéis, especialmente nas regiões mais procuradas, pesa no orçamento de quem recebe salários portugueses. Somam-se a isso dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, processos de regularização e uma situação econômica que pode deixar o imigrante em condição de vulnerabilidade. A própria OIM já apontava, em levantamentos anteriores, desemprego, dificuldades de acesso ao trabalho, regularização e situação econômica entre os fatores associados aos pedidos de retorno de brasileiros.

                Também existe uma mudança no ambiente migratório português. Nos últimos anos, o país alterou regras de entrada, residência e regularização de estrangeiros, enquanto o debate sobre imigração ganhou mais espaço na política e na sociedade. Para alguns brasileiros, esse cenário contribuiu para a decisão de procurar outro caminho, seja o retorno ao Brasil, seja a mudança para outro país europeu.

                O retorno, entretanto, nem sempre acontece depois da inscrição. Segundo a Folha, que teve acesso aos dados da OIM, muitas pessoas iniciam o processo mas não chegam a viajar. Entre os fatores está a própria exigência de comprovar vulnerabilidade econômica. Além disso, quem utiliza o programa fica sujeito a um período de três anos sem poder entrar em Portugal ou em outros países do Espaço Schengen, o que também pode pesar na decisão de quem ainda pretende tentar a vida em outra parte da Europa.

                O programa oferece passagem aérea para o Brasil e € 70 para despesas no momento da viagem. A OIM também presta acompanhamento para preparar o retorno e, dependendo do caso, oferece apoio para a reintegração do migrante no Brasil.

                Outro aspecto que merece atenção é a presença de crianças. O retorno não envolve apenas adultos que decidiram mudar de país novamente. Em 2025, 85 crianças retornaram ao Brasil dentro do programa, segundo os dados citados pela imprensa, mostrando que também existem famílias que, depois de tentar construir uma vida em Portugal, acabam optando por voltar.

                Portugal continua sendo um destino importante para brasileiros e não há nos dados da OIM uma indicação de que a comunidade brasileira esteja simplesmente abandonando o país em massa. O que os números mostram é algo mais específico: entre os imigrantes que procuram o programa de retorno voluntário por estarem em situação de vulnerabilidade, os brasileiros são maioria absoluta, e a procura aumentou significativamente em 2026.

                Para quem acompanha de longe a migração brasileira para Portugal, os números ajudam a mostrar um lado menos conhecido dessa história. Para algumas pessoas, a mudança de país representa uma oportunidade que funciona. Para outras, a realidade encontrada depois da chegada principalmente quando moradia, trabalho, documentação e renda não se encaixam no planejamento inicial pode fazer o caminho de volta parecer a alternativa mais possível.




Leia também - Terremoto de 6,1 em Lima: como foi viver o tremor e o alerta para quem viaja ao Peru

Leia também - Lima no verão é quente como o Brasil? Veja como é o clima no Peru

Leia também - Turquia intensifica repressão contra população LGBT+ e acende alerta para turistas LGBTQI+

Compre seu kit viagens ou ziplock para viagens internacionais

Compre seu kit viagens ou ziplock para viagens internacionais
A ANAC passou a exigir o ziplock para viagens internacionais. A lei é antiga mas agora é obrigatório. Acesse a imagem e veja os kits disponíveis e não faça sua viagem sem o ziplock.

Postagens mais visitadas