Airbnb no Japão: excesso de turismo faz cidades apertarem regras para hospedagens

Japão restringe AIRBNB




            O Japão está apertando o cerco sobre as hospedagens de curta duração em algumas das áreas mais procuradas pelos turistas. A medida, que pode atingir imóveis anunciados em plataformas como o Airbnb, faz parte de uma reação ao crescimento do turismo e às reclamações de moradores sobre os impactos provocados pela grande circulação de visitantes.

            A mudança, porém, não significa que o Airbnb esteja proibido em todo o Japão. O governo japonês passou a orientar os governos locais sobre a possibilidade de adotar regras mais rígidas, inclusive com restrições que podem impedir o funcionamento de hospedagens em determinadas áreas.

            O caso que mais chama atenção neste momento está em Shinjuku, em Tóquio, um dos principais destinos turísticos da capital japonesa. O distrito pretende proibir as chamadas minpaku — hospedagens particulares de curta duração — em áreas exclusivamente residenciais e em locais classificados como distritos educacionais e culturais. A proposta também alcança imóveis que já estão em funcionamento.

            Segundo dados da Agência de Turismo do Japão, Shinjuku tinha 3.775 imóveis registrados para esse tipo de hospedagem em 15 de julho, o maior número entre os municípios japoneses. No fim de agosto, o número havia subido para 3.928, de acordo com o próprio distrito. A estimativa é que aproximadamente 2 mil imóveis possam ser afetados pelas novas regras.

            Entre os motivos apresentados estão as reclamações de moradores relacionadas a barulho, descarte irregular de lixo, cigarros deixados nas ruas e entrada de turistas em propriedades. O aumento desses conflitos fez a administração local decidir rever as regras para as hospedagens de curta duração.

            Além da possível proibição em determinadas áreas, Shinjuku pretende reduzir de 180 para 120 dias por ano o período máximo de funcionamento das minpaku, inclusive em áreas comerciais.

VDP - AEREO NACIONAL 

            Algumas exceções poderão ser aplicadas, como imóveis em que o proprietário mora no local e acompanha diretamente a hospedagem.

            A discussão acontece justamente enquanto o Japão continua recebendo um número elevado de estrangeiros. Em julho de 2026, o país recebeu 3.442.100 visitantes internacionais, recorde para o mês de julho, segundo a Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO).

            A legislação japonesa já estabelece regras para as minpaku. Desde a entrada em vigor do sistema nacional, as hospedagens residenciais submetidas a esse modelo podem funcionar, em regra, por até 180 dias por ano, mas os governos locais têm autonomia para estabelecer limitações adicionais por meio de suas próprias normas.

            Por isso, quem pretende viajar para o Japão e reservar um imóvel pelo Airbnb precisa ficar atento às regras da cidade ou do distrito onde pretende se hospedar. As restrições não são iguais em todo o país e podem mudar conforme a região.

            Em Shinjuku, a proposta ainda precisa passar pelo processo de revisão da legislação local. A administração pretende realizar uma consulta pública em outubro e apresentar a alteração da norma à assembleia distrital em fevereiro de 2027.

            O movimento mostra como o Japão tenta encontrar um equilíbrio entre o crescimento do turismo e a rotina de quem vive nas regiões mais visitadas. Para os viajantes, a tendência é que a escolha de hospedagem de curta duração exija cada vez mais atenção às regras locais.




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