Cusco é o 3º melhor destino para viajar sozinho. Eu entendo por quê.
A cidade de Cusco, no Peru, foi eleita o terceiro melhor destino do mundo para viajar sozinho no prêmio Travellers' Choice 2026, do Tripadvisor. O reconhecimento é baseado nas avaliações de milhões de viajantes e coloca a antiga capital do Império Inca entre os lugares mais recomendados para quem decide colocar uma mochila nas costas e explorar o mundo por conta própria.
Confesso que, quando vi a notícia, sorri.
Não porque eu já conhecia o resultado, mas porque acabei de viver isso mais uma vez.
Esta foi a minha terceira viagem sozinho para Cusco e a segunda vez que venho especialmente para acompanhar o Inti Raymi, a mais importante celebração da cultura inca. A festa, realizada todos os anos em 24 de junho, marca o início de um novo ano inca e homenageia o Deus Sol. Muito além da grande encenação, o que mais me encanta é ver como a cidade inteira entra no clima da comemoração.
Dias antes da festa principal, as ruas já ficam tomadas por desfiles de escolas, grupos culturais e comunidades andinas.
Homens, mulheres e crianças desfilam com seus trajes típicos, dançando ao som da música andina, distribuindo pequenos brindes para quem acompanha a festa e, principalmente, sorrindo. É impossível caminhar por Cusco nessa época e não perceber o orgulho que os moradores têm de preservar sua história e suas tradições.
Essa, aliás, é uma das coisas que mais gosto na cidade. Cusco não parece um destino que vive apenas do turismo.
Ela continua sendo uma cidade onde a cultura faz parte da rotina das pessoas.
Outra característica que sempre me chama a atenção é a facilidade de comunicação. Mesmo quando não falam português, muitos peruanos fazem questão de entender o visitante. Misturam espanhol, gestos, algumas palavras em inglês e, no fim, a conversa sempre acontece. Essa receptividade faz muita diferença para quem viaja sozinho.
A gastronomia também merece destaque.
A comida peruana já é reconhecida mundialmente, mas o que mais gosto é que isso não fica restrito aos restaurantes famosos. Até as refeições mais simples costumam ser muito saborosas e bem apresentadas. É comum encontrar pratos visualmente bonitos, preparados com cuidado, mesmo em pequenos estabelecimentos familiares.
Outro ponto positivo é a mobilidade. Os táxis costumam ter preços acessíveis, mas, sinceramente, quase sempre prefiro fazer tudo caminhando. Para quem gosta de andar, como eu, Cusco é um verdadeiro convite. As ruas de pedra, as construções coloniais, as ladeiras e os pequenos becos fazem com que cada caminhada reserve uma surpresa diferente. Sempre aparece uma igreja, uma praça, uma ruína, uma feira de artesanato ou um café que você não tinha visto antes.
E talvez seja justamente isso que faz Cusco ser tão especial: ela nunca parece totalmente conhecida. Sempre existe alguma novidade escondida em uma esquina.
Também considero a cidade bastante segura para o turista. Durante os dias em que estive por lá, vi inúmeros viajantes explorando a cidade sozinhos, homens e mulheres, caminhando tranquilamente tanto durante o dia quanto à noite nas áreas mais turísticas. É claro que os cuidados básicos de qualquer viagem continuam valendo, mas a sensação de segurança é algo que chama atenção de quem visita a cidade.
Ao mesmo tempo, há algumas coisas de que sinto falta. Cusco é uma cidade seca, especialmente nesta época do ano. A baixa umidade castiga a pele, os lábios e até o nariz. Depois de alguns dias, é comum sentir os efeitos do clima. Também sinto falta de mais áreas verdes dentro da região central e de um pouco menos de trânsito em alguns horários, já que as ruas estreitas acabam concentrando muitos veículos.
Ainda assim, são detalhes pequenos diante da experiência que a cidade proporciona.
Depois da terceira viagem sozinho para Cusco, posso dizer que entendo perfeitamente por que ela aparece entre os melhores destinos do mundo para quem decide viajar sem companhia. A cidade acolhe, surpreende e faz com que o visitante se sinta à vontade desde o primeiro dia.
Se você ainda tem receio de fazer sua primeira viagem solo, talvez Cusco seja um dos melhores lugares para começar. Pelo menos comigo, ela conseguiu fazer algo raro: em todas as vezes em que fui embora, já comecei a pensar quando seria a próxima volta.
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