Trem da Morte volta a operar na Bolívia após anos parado e aposta no turismo para impulsionar a região.


 


            Após um período de interrupção, um dos trens mais conhecidos da América do Sul está novamente nos trilhos. O lendário Trem da Morte, que percorre o leste da Bolívia entre Santa Cruz de la Sierra e Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil, voltou a operar com a expectativa de impulsionar o turismo, fortalecer a economia regional e facilitar o deslocamento de moradores e visitantes.

            O serviço havia sido suspenso durante a pandemia de Covid-19 e permaneceu operando de forma limitada enquanto a empresa realizava ajustes operacionais e melhorias na infraestrutura ferroviária. Agora, com a retomada das viagens, a expectativa é ampliar o número de passageiros e incentivar ainda mais o turismo na região oriental da Bolívia, porta de entrada para milhares de brasileiros todos os anos.



            Além de seu importante papel para a economia local, o Trem da Morte é considerado uma das experiências ferroviárias mais emblemáticas da América do Sul, oferecendo aos passageiros uma viagem por paisagens de florestas, campos e pequenas comunidades bolivianas.

            As passagens variam conforme a categoria escolhida. Os bilhetes da classe econômica custam a partir de 70 bolivianos, cerca de R$ 55, enquanto as categorias mais confortáveis podem ultrapassar 200 bolivianos, aproximadamente R$ 160, oferecendo poltronas reclináveis, maior espaço e serviços diferenciados.


Entenda por que é chamado de Trem da Morte



            Apesar do nome assustador, a origem do apelido não tem relação com acidentes ferroviários.

            A ferrovia ganhou fama durante a Guerra do Chaco, conflito travado entre Bolívia e Paraguai entre 1932 e 1935. Na época, o trem era utilizado para transportar soldados feridos e pessoas acometidas por doenças como a malária, bastante comum na região. Muitos passageiros chegavam em estado grave aos hospitais, enquanto outros não sobreviviam à viagem. Foi dessa realidade que nasceu o apelido Trem da Morte, nome que permanece até hoje.

            Com o passar das décadas, o trem deixou para trás essa imagem ligada ao sofrimento e passou a ser um importante meio de transporte para moradores da região, comerciantes e turistas que cruzam a fronteira entre Brasil e Bolívia.

              

            A ferrovia também desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico do leste boliviano, facilitando o transporte de cargas e integrando cidades que, durante muitos anos, tinham poucas alternativas de acesso.

            Hoje, completamente diferente do passado, o Trem da Morte oferece uma viagem segura e confortável, sendo uma das formas mais tradicionais de conhecer o interior da Bolívia. Sua retomada representa não apenas a volta de um importante serviço de transporte, mas também a recuperação de um símbolo histórico que agora busca atrair cada vez mais turistas interessados em explorar a cultura, a história e as paisagens bolivianas.

            Com o retorno das operações, autoridades e empresários do setor turístico esperam que o famoso Trem da Morte volte a ser um dos grandes cartões-postais do turismo ferroviário da América do Sul, transformando um nome marcado pela história em um convite para uma experiência inesquecível sobre os trilhos.




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