Família baiana é expulsa de voo da Air France em Paris após confusão por assento na classe executiva
Um voo da Air France que partiria de Paris com destino ao Brasil terminou em confusão, constrangimento e intervenção policial. Na última quarta-feira (14), um empresário baiano, a esposa e as duas filhas foram retirados da aeronave no Aeroporto Charles de Gaulle, na França, após uma disputa envolvendo assentos na classe executiva.
Segundo o empresário, a família havia pago cerca de 1.600 euros pelo upgrade da cabine econômica para a executiva, buscando mais conforto. Já dentro do avião, a tripulação informou que o assento da criança estaria quebrado e que, por esse motivo, eles precisariam retornar à classe econômica.
O problema começou quando a família percebeu que outro passageiro ocupava exatamente o assento que teria sido classificado como danificado. Diante da contradição, o empresário questionou a decisão da companhia e se recusou a aceitar o rebaixamento, alegando que havia pago pelo serviço e não recebeu uma alternativa compatível.
A situação rapidamente escalou. De acordo com o relato, a tripulação teria imposto um ultimato: ou a família aceitava a mudança de cabine, ou não viajaria. Sem acordo, o comandante acionou a polícia francesa, que entrou na aeronave e retirou os quatro passageiros antes da decolagem.
Além do constrangimento público, a família afirma que não recebeu assistência adequada da Air France, como hospedagem, alimentação ou realocação imediata em outro voo. Eles acabaram comprando passagens em outra companhia aérea para conseguir retornar ao Brasil no dia seguinte, acumulando um prejuízo que pode chegar a R$ 100 mil, considerando novas passagens, despesas extras e perda de compromissos.
O empresário informou que pretende acionar a Air France judicialmente, buscando reembolso e indenização por danos morais, alegando tratamento abusivo e desproporcional por parte da companhia.
O episódio reacendeu o debate sobre os direitos dos passageiros em casos de downgrade forçado, especialmente quando envolve crianças e serviços pagos antecipadamente.
O caso Ingrid Guimarães e
um padrão que se repete
O ocorrido com a família baiana lembra um episódio recente envolvendo a atriz Ingrid Guimarães, que ganhou grande repercussão nas redes sociais. Em 2025, ela relatou ter sido constrangida durante um voo da American Airlines, quando foi pressionada a deixar seu assento na Premium Economy porque um lugar na classe executiva de outro passageiro estaria quebrado.
Segundo Ingrid, a tripulação tentou forçá-la a aceitar a mudança, chegando a expor a situação no sistema de som da aeronave, criando um clima de constrangimento coletivo. O caso gerou forte reação do público e levantou questionamentos sobre práticas adotadas por companhias aéreas diante de falhas operacionais.
Ambos os episódios evidenciam um problema recorrente no transporte aéreo internacional: assentos vendidos como funcionais que, na prática, geram conflitos, constrangimento e prejuízo ao passageiro, muitas vezes transferindo ao cliente a responsabilidade por falhas da própria companhia.
