Minha vida na Itália

 "Disse a mim mesma, 'se não for agora, não será nunca mais' e que algo fosse pelo caminho errado, eu daria um jeito de sair da furada".

A maranhense, Valéria é casada com o italiano, Matteo Bongiorni. 
Mas até conhecer o marido e ter dois filhos com ele, a vendedora 
passou por muitos percalços 




                    A história que iremos conhecer hoje é uma história de sonhos, de força de vontade, de acreditar em si, de perseverar e correr atrás. 
              Medo?
              Ele sempre existirá, mas ele não pode ser o fato preponderante para te fazer desistir de algo. 
              E a Valéria, ela sabe muito bem disso. 

Residência onde Valéria Bongiorni morava, no interior do Maranhão,  antes de chegar à Itália

                
                    Aos 18 anos, Valéria deixa a casa dos pais, em Coelho Neto, uma pequena cidade no interior do Maranhão, com pouco mais de 49 mil habitantes. 
                    O primeiro destino de nossa personagem antes de chegar a Itália é Brasília, onde acompanhada de uma amiga vai em busca de trabalho. 
                    Na bagagem poucos itens e muito, muitos sonhos  e a força de vontade e fé de que tudo vai dar certo em seu caminho. 
                    Mas na chegada a capital do país, a primeira pedra em seu sapato, Valéria é furtada e seus poucos itens são roubados. A tal amiga (da onça), havia feito promessas falsas, não tinha emprego, e casa onde ficaria hospedada eram de pessoas estranhas. 

                    "A pessoa com quem eu tinha conversado , né? Que por sinal dizia ser minha amiga, falou que o emprego já era garantido, mas no fim das contas não era. Então me deixou jogada na casa de desconhecidos. Lá me roubaram as poucas coisas que eu tinha, roupas, roupas íntimas, um pouco de dinheiro que eu tinha. Eu fiquei uma semana, só na água e na tapiioca, passando fome mesmo". 

                    Muitos pensariam em desistir, já nesse primeiro obstáculo. Ser enganada (o) e ainda roubada (o)?
                    Mas você verá que desistência não faz parte do vocabulário dessa maranhense, hoje com 35 anos. 



                        A história de Valéria começa a se desenhar quando uma das moradoras desse lugar, consegue um emprego como baba para ela. 

                "A minha história mudou, consegui um emprego, consegui me manter, consegui terminar o ensino médio".

 

                Valéria começa a trabalhar nesta casa e de outras pessoas como a avó do skatista e medalhista das Olimpíadas de Tokyo, Pedro Barros (foto ao lado - reprodução internet). A atual vendedora, começa a adquirir outras experiências como balconista e caixa de supermercado. 


                "A gente sempre foi muito humilde, a ponto de poder comer carne a cada quinze dias, poder ter um sapato novo a cada ano". 


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                    Aliás, falando em sapato, guarda a frase acima, porque é justamente por ele, que Valéria viveu um triste episódio em uma viagem para Milão. A maranhense viveu a típica cena do filme 'Uma Linda Mulher', onde a vendedora supostamente acha que a personagem de Julia Roberts, não teria dinheiro suficiente para pagar pela peça. 


Cena clássica do filme 'Uma Linda Mulher'
onde a vendedora supõe que a personagem
não tem dinheiro para comprar o item
Muitas vendedores na vida real reproduzem
a cena, como Valéria irá nos contar. 

 

                        O último trabalho de Valéria foi como caixa de supermercado, exatamente por não conseguir se manter com o salário, ela decide voltar a trabalhar como baba para complementar sua renda. Valéria então, começa a ler os classificados para tentar encontrar um novo job. 


                "Eles (supermercado), me pagavam um salário mínimo, na época era tipo uns R$ 500 e eu não conseguir sobreviver (a região de Brasília tem um dos custos mais elevados do país), com aquele dinheiro porque eu tinha que pagar aluguel, tanta coisa, transporte, comida e não sobrava nada. Daí eu fui procurar nos classificados". 

                E foi exatamente através dos classificados que Valéria encontra o anúncio de uma família que precisava de uma baba para trabalhar na Europa, na Itália. 


                "Não pensei duas vezes, liguei lá e falei das minhas experiências e ela pediu para ir na casa dela com documentos e dois números de referências. Dois ex-patrões". 


                A futura patroa, que chamaremos de F, retorna a ligação e diz que a vaga é sua. 


                "Já voltei na casa deles com os documentos para fazer o passaporte, tirar passagem, conheci a família". Valéria também conhece a ex-babá da família que acaba lhe contando sobre a tarefa que ela exerceria.  

                Mas nesse ano, o tema da novela 'Salve Jorge', de Glória Perez, na Globo, acabou assustando a maranhense. O tema era o tráfico humano. Assustada, ela pensa em desistir. 

                "Eu entrei em desespero, falei com ela (futura patroa), que não iria mais, porque tinha desistido, não deixar minha vida aqui"

                Do outro lado, a patroa também se apavora, tudo já estava providenciado. Ela decide indicar sua psicóloga para conversar com Valeria. 

                "A gente conversou (psicóloga), e eu disse para ela, 'realmente tenho medo de parar num lugar e fazer coisas que eu não quero'". 

                Nesse momento ela é tranquilizada pela profissional. Segura, ela agarra a oportunidade e viaja para a Itália com a família e é nesse momento que ela profetiza. 

                "Eu vou! E se tiver de acontecer algo é pela vontade de Deus". 

                E parecia que ali, Valeria havia lido seu futuro ou o futuro que Deus queria dar à ela. Valéria não só conheceu seu futuro marido, Matteo, que se tornaria pai de seus dois filhos, como conquistou outra profissão. Mas antes, ela ainda enfrentou outras pedras em seu caminho, como discriminação no novo país. 


Minha vida na Itália - Valéria Bongiorni


Roger - Antes de tudo, quero te agradecer pela gentileza de compartilhar conosco sua história. Com ela podemos mostrar que temos que ter perseverança, fé, força de vontade e acho que se acreditarmos naquilo que queremos, conseguimos! Você sai do interior do Maranhão, super jovem e vai para Brasília, de lá chega a Itália. Quando você olha para trás, aquela garota que sai da cidade natal, qual o sentimento que vem?

Valéria - Em primeiro lugar eu quero gostaria de agradecer por está falando um pouquinho da minha história. O sentimento que eu tenho, se eu for pensar em tudo como aconteceu, é perseverança. Esse é o sentimento quando eu penso lá no início até agora. Mas seu não tivesse onde estou, o sentimento seria medo. Medo porque eu me joguei, numa situação na qual eu não tinha controle, eu não sabia o que poderia acontecer, mas a minha perseverança me levou onde cheguei hoje, Então se eu for resumir o sentimento é a perseverança. 

Roger - Outra menção que você fez em nossa conversa anterior à entrevista e me deixou impactado, foi que saiu do Maranhão com uma amiga dizendo que tinha um trabalho certo para você em Brasília, mas você chega sem o emprego e ainda é furtada. Te deu vontade de voltar naquele momento, o que você pensou?

Valéria - Sim, a primeira coisa que eu pensei foi, eu vou voltar pra casa... Mas daí repensei, se eu voltar, vou ser um fracasso que não tentou o suficiente. Segurei as pontas e pedi para Deus me guiar.. Passei fome, sede, dormi no chão frio com coberta molhada... mas não desisti. Pois sabia que algo bom ia acontecer. Nessa época eu fui muito humilhada, pois para as pessoas que me acolheram, involuntariamente eu era um peso. 

Roger - Nesse lugar você conheceu duas pessoas que lhe indicam um novo trabalho e aí  acontece uma virada na sua vida. Começa aí a aparecer o fio que te levará para Itália?

Valéria - Então, as mesmas pessoas que me acolheram involuntariamente, arrumaram um trabalho para mim. Na casa da minha patroa, que hoje não está entre nós... Me acolheu com muito carinho, pois ela sabia que eu não tinha experiência como doméstica ou babá. Trabalhei como babá, doméstica, atendente de restaurante, caixa de supermercado e novamente babá. 
              Até que um dia fui me deparar com anúncio de classificados, onde uma família procurava uma babá para viajarem com eles para a Itália. Não hesitei e entrei em contato, no qual marcamos entrevista, entrevista ok. Foi pedido contato para referência, referência ok. Fui escolhida para a vaga de emprego. 

Roger - E aí quando ela realmente confirma que você iria para a Itália, morar em outro país, sem falar nada da língua. Você sente medo e resolve não ir? Qual era o seu maior medo naquele momento? Você sentiu como se estivesse se sabotando?

Valéria - Foi bem depois desse primeiro emprego. Estive em outras três casas. Na época eu trabalhava para o braço direito do Ministro da Educação e para a avó do skatista (Pedro Barros). Quando aconteceu a oportunidade de vir para cá eu trabalhava em um supermercado e o salário não dava para me manter, mesmo tendo a vida mais simples possível. Foi em janeiro de 2010, que comecei a procurar emprego e me deparei com o anúncio de trabalho na Itália. 

Roger - Então esse emprego chega em sua vida porque precisava complementar sua renda? O anúncio mencionava sobre salário?

Valéria - Não! No anúncio não tinha nenhuma menção. Só falava da vaga. Assunto sobre salário, carga horária, foram tratados na entrevista. 

Roger - E o que foi acordado na entrevista sobre a vaga e função?

Valéria - Ela combinou que eu cuidaria das crianças (2) e faria alguns serviços domésticos. 

Roger - Então ficou acordado que você exerceria alguns trabalhos por fora. Mas ela pagaria algum valor adicional?

Valéria - Sim (sobre acordo)
Não.. o combinado era casa, comida e o salário (1.500 reais). 

Roger - É nesse momento que você sente medo de ir?

Valéria - Não, fui senti medo porque na época estava passando a novela 'Salve Jorge', na qual tratava sobre exploração sexual, tráfico de pessoas e mulheres para prostituição. Fantástico passou uns dois domingos falando sobre isso, foi aí que fiquei com medo. Cheguei a desistir por esse medo.

O tema da novela 'Salve Jorge' era o tráfico humano de pessoas
Imagem - Reprodução internet


Roger - E como você voltou atrás e resolveu ir?

Valéria - A empregadora ficou apavorada, pois já tinha feito documentos e comprado passagem. Arrumar outra pessoa em cima da hora, seria muito difícil, por questões burocráticas. Daí ela marcou uma consulta com sua psicóloga pessoal e eu comentei o meu real medo, que era de cair na rede de prostituição. 


                Muita gente inclusive chega a pensar a mesma coisa de Valéria. 


Roger - Fale mais sobre esse click que você teve e que acabou fazendo você voltar atrás

Valéria - Foi surreal! Pedi a Deus que abrisse minha mente e que cuidasse de mim, que me fizesse tomar a melhor decisão. Daí enfrentei meu medo, disse a mim, 'se não for agora, não será nunca mais', e que se algo fosse pelo caminho errado, eu daria um jeito de sair da furada. Eu tinha que tentar, eu não estava sozinha, Deus estava à frente de tudo e minha mãe estava orando por mim, foi quando eu falei, 'eu vou'". 

Roger - E sobre esses comentários, o que mais te chateou?

Valéria - O que mais me chateou foi o fato do disse me disse, das pessoas que conheci, falando que eu estava vindo para me prostituir. Pessoas que eu conheço e que hoje me tratam absolutamente diferente. 

Roger - E esses comentários eram diretos ou chegavam até você por outras pessoas?

Valéria - Eram assim... tá indo fazer o que lá mesmo hein? Será que você vai ser babá mesmo? Tem medo de ir fazer outra coisa? E amigos próximos comentaram comigo, que tinha gente falando que estava indo para trabalhar em outro setor... 

Roger - Quando você desembarca no aeroporto e chega na Itália, novo país, novo trabalho em um local que você acabara de conhecer. Qual foi a primeira coisa que te passou pela cabeça?

Valéria - Primeira reação, emoção por pisar em solo diferente. E logo depois perdida (risos), por não entender nada do que falavam ao meu redor (risos). 

Roger - E quando você chega na residência?

Valéria - Eu sempre fui muito curiosa, então era muito... Não passava nada despercebido. Quando cheguei na casa, minha sensação era de alívio. Pois realmente tinha uma casa, tinha avós que esperavam. Eu respirei profundamente e agradeci!


Roger - Não bateu medo novamente?

Valéria já na Itália
                                                            Valéria - Sim, não foi medo! Mas uma ansiedade por não ter a liberdade que eu tinha quando estava no Brasil. Não poder ir na padaria comprar pão. Resumindo tive uma ansiedade!

Roger - Então você ainda tinha alguma dúvida durante o caminho, na viagem?

Valéria - Sim, até porque era tudo muito novo! Mesmo com as crianças, com a amiga que ia buscar a gente no aeroporto, resumindo, sou muito medrosa (risos). 

Roger - Passou pela cabeça que você poderia não se adaptar à família?

Valéria - Sim! E para ser sincera, não me adaptei 100%

Roger - E aí, quando você não se adapta a eles. Como se dá isso, porque não podia voltar? O que acontece?

Valéria - No início tive que restringir os dentes, pois não tinha escolha. (Valéria conta que se ela optasse em voltar pra casa teria que arcar com a passagem de volta), mas o meu intuito era juntar o máximo de dinheiro possível. Então nem pensava na possibilidade de retornar antes do prazo. O marido (da patroa, que era banqueiro), fazia ponte área da Itália para os Estados Unidos e as vezes a mulher e o filho mais velho iam e eu ficava em casa com a criança menor e os avós. Com dois meses eu já estava falando italiano. 

Roger - Esses avós eram italianos? E como foi aprendendo (italiano), a família te auxiliou?

Valéria - Italianos... a avó era professora, então me ensinava as pronuncias certinhas. 90% aprendi sozinha, vendo filmes com legendas e vendo jornais. Jornais são ótimos, pois falam o idioma certinho. 

Roger - Eu sei que você foi em busca de conhecer outras pessoas, conte para nossos leitores o que você fez para conhecer outros brasileiros. 

Valéria - Eu tentei conhecer, mas fui simplesmente ignorada... As brasileiras que eu conheci, foram, a babá, que me substitui e que me passou o contrato e uma família, que com ela ia para igreja, cultos e fazíamos caminhada,  faziam companhia. 

Roger - Mas você compra um computador para tentar fazer amizades?

Valéria - Sim, para ver meus filmes e me comunicar com minha família e aproveitei para fazer amizades 

Roger - E nessa amizade você acaba conhecendo um rapaz. Conte o que aconteceu

Valéria - Conheci um rapaz que falava um pouquinho de português, fiquei emocionada! Daí conversamos e marcados de sair. 

Roger - Então ele falava um pouco de português?

Valéria - Bem pouquinho, pois ele sabia o espanhol, então enrolava com português. 

Roger - E como desenrolou o encontro?

Valéria - Achei ele super gato, mas não era o tipo de homem que eu queria. Ele vinha me buscar, íamos comer algo, enfim... 
               Certa vez ele me levou ao shopping e passando dentro de uma loja de roupas femininas, ele falou assim: 'quando você receber seu salário, vem aqui comprar roupas para você'.... Fiquei sem graça e só respondi ok. Eu estava de jeans, sandália baixa, blusinha solta e um casaquinho, na época eu era bem magrinha. Me decepcionei tanto... 

Valéria conhece um rapaz na Itália. Na primeira vez que eles saem, ao passar por uma loja, ele diz para ela comprar roupas nela. 


Roger - Naquele momento você achou que poderia acontecer novamente com outros italianos ou foi só um sujeito imbecil que por acaso era italiano?

Valéria - Certeza absoluta que era só um imbecil na fila do pão. O clássico mauricinho!

Roger - E não te fez desistir de conhecer outras pessoas? Depois desse episódio, você ainda na casa dessa família, conhece seu marido?

Valéria - Não, não me fez desistir. Logo depois desse episódio, pedi para me levar para casa (o rapaz) e chegando entrei no bate papo. E ali recebi uma solicitação de um rapaz, por sinal muito bonito (O rapaz bonito era Matteo Bongiorni, que seria o futuro marido de Valéria). Falou uma frase em português (risos) e eu crente que ele sabia português (risos). 
 
                O primeiro contato entre os dois foram trocas no antigo MSN




Roger - E você antes tinha feito amizade com outros italianos?

Valéria - Não, não fiz amizades com italianos, por conta da dificuldade da língua e também pelo fato de alguns serem muito fechados, de mente fechada. Era bem difícil! E nos dias de hoje ainda é... 

Roger - E o início com seu marido?

Valéria - Foi mágico! Pois um dia depois de termos trocado algumas frases pelo MSN, nos vimos pessoalmente. Foi um risco para ambas as partes, mas sobretudo para mim. Mas correu tudo bem. Encontrei um rapaz educado e muito bonito (risos), mesmo tendo um pequeno receio, pelo fato do episódio anterior. Mas não me fez desistir, pois sempre tive em mente, que o que era para ser, estava por vir... Contei que tinha conhecido um outro rapaz, mas até então não entrei em detalhes. Não estávamos namorando, mas somente nos conhecendo...

Roger - Na nossa primeira entrevista com brasileiros que foram ou moram fora do Brasil, a Mauricéia Djalma, falou sobre um empregador brasileiro que mantinha seus colaboradores em péssimas condições de trabalho. Muita gente concordou. Na Itália, você só trabalhou com patrões italianos ou brasileiros também? E até onde você concorda?

Valéria - Aqui também existe! Sobretudo no sul... o único (patrão) brasileiro com quem trabalhei, foi a pessoa que me trouxe para cá. E o nosso acordo era de março até dezembro e foi cumprido muito bem. Pois eu sempre fui atenta aos meus direitos. Com meus empregadores italianos sempre tive uma boa relação. Aqui existe muitas pessoas em péssimas condições de trabalho. Sobretudo estrangeiros, pagam menos que o normal é irregular. 

Roger - Esse seria um conselho para quem for? Se atentar aos detalhes?

Valéria - Sim! É um super conselho. O que foi bom para mim, pode ser que para a outra pessoa não será. Que tem muito isso, de se aproveitarem de pessoas sem conhecimento...

Roger - Como que foi o desenrolar da história com seu marido até chegar o casamento?

Valéria - Então, quando a gente se conheceu foi no site de bate papo, um Tinder de hoje, aí tem a foto da pessoa, nacionalidade, onde ela está morando atualmente e tudo. E aí, ele mandou mensagem em português e eu respondi. Conversando, as coisas que eu não entendia eu ia traduzindo e vice versa. Foi numa terça, se eu não me engano, na quarta a gente combinou de sair, para nos conhecermos melhor. E a gente foi num barzinho. A minha primeira impressão não foi tão legal, mas não pelo tipo da pessoa, eu julguei muito pela forma que ele estava vestido. Foi muito interessante, porque a gente conversou bastante,  conversei muito e ele sempre me ouvindo e tendo cuidado para não falar coisas que fossem impossíveis de entender. A gente decidiu se rever no sábado, ele me convidou para jantar fora. A gente conversou dia 26 de junho e daí então estamos juntos até hoje. Saímos para jantar, fomos em uma discoteca, ele me trouxe de volta para casa, sempre muito respeitador, nunca foi aquele tipo de pessoa afoita, que a gente fala, que queria algo a mais, não. Foi tudo muito tranquilo foi um verdadeiro cortejamento.  

Roger -  Vocês vieram para o Brasil, ele chegou a conhecer sua família não foi? E o que ele achou do Brasil, do maranhão?

Valéria - Então, nesse meio tempo, quando a gente começou a nossa relação, eu fui explicando aos poucos a minha situação. E quando ele vem na minha casa, que a gente decide que a gente vai juntar as escovas de dentes (risos). Ai ele vai na minha casa conhecer a minha realidade e minha família, foi em 2011. 

No Maranhão, Matteo anda de pau de arara.


Roger - A sua situação já estaria ilegal. E nesse período até você se legalizar, o que vocês tiveram que fazer para poder se encontrarem, porque me lembro que você disse que era uma distância longa entre as cidades de vocês.

Valéria - Quando todo brasileiro vem para cá, tem o visto né? Visto de três meses. Eu tive três meses com meu visto, eu podia ir para qualquer lugar, fazer o que eu quisesse, turista né? Aí quando eu conheci o meu atual marido, ele não sabia que eu estava ilegal, foi depois que ele veio saber, que eu trabalhava para essa brasileira, que meu salário era muito baixo para as funções que eu fazia. Sobre me locomover. Eu ia para muitos lugares sem problemas, eu só não ia para lugares muito cheios, tipo discoteca, barzinhos, ficava muito em lugares mais tranquilos, onde pudesse evitar qualquer tipo de controle. Então, não deixei de fazer praticamente nada. Então quando a gente passou a se tornar namorados, ele me levava para praia, para montanha, para os rios daqui, restaurante. Saíamos para tudo quanto era canto, não era um problema.

Dia que Matteo pediu Valéria em casamento
 Tinha uma distância, era mais ou menos meia hora, da casa dela para onde eu estava, ele vinha, me buscava a gente saia, ou as vezes eu pegava um trem e descia na cidade onde ele morava. Eu não tive problema com isso, mesmo tendo medo, porque se eu chegasse a ser pega pela polícia, eu poderia ser deportada e ficaria um bom tempo sem poder voltar. Então a gente tinha muito cuidado com os lugares onde a gente ia. 

Roger - A pessoa que pensa em viver ilegalmente aí na Itália, o que acontece com essa pessoa, quais são as situações de risco se ela escolher viver ilegalmente aí?

Valéria - Ela não pode ter acesso a saúde, porque para ter acesso você precisa ter documentos. Aqui nos temos o COBIT Fiscale, é tipo um cartão do SUS, ela não pode ser atendida. E para ser atendida como estrangeiro e irregular, ela tem que pagar e é caríssimo! Ela não pode trabalhar, porque sem documento não pode trabalhar, não pode fazer nada, praticamente nada! E tem sim, tem gente aqui irregular. Já vi pessoas aqui irregulares que fazem o que querem, vão a qualquer canto sem medo. Mas eu não aconselho, porque no meu caso eu tive muita sorte, não tive nenhum tipo de problema. Mas outra pessoa pode ter, ela pode ser pega pela polícia e pode ser deportada e para algumas pessoas elas podem ficar até cinco anos, sem poder pisar o pé novamente aqui no território italiano. 




Roger - E para se legalizar quais são os caminhos?

Valéria - Vou falar do meu caso pessoal. Quando a gente já estava namorando, ele perguntou se eu não gostaria de morar com ele, para conhecer e saber se daria certo. Uma convivência que na verdade a gente não teve. E aí procuramos na internet e na comuna daqui, a gente foi atrás para saber se tinha algum tipo de documento, se a gente poderia dar entrada em qualquer papel. E ai gente descobriu que poderia me regularizar tendo contrato de trabalho, mas para mim ter contrato de trabalho, eu deveria estar no Brasil. Então eu no Brasil, o empregador mandava o meu contrato e ai eu poderia vir. Estando aqui, não poderia é muito difícil não teve como, a gente pesquisou bastante. Até amigos com empresa, a gente viu pra ver se dava pra fazer um contrato e era impossível. Por motivo de estudo, mas por motivo de estudo era a mesma coisa, eu tinha que estar no Brasil, então o círculo se fechou. E aí quando a gente conversou na comuna, o único modo era a gente casar, aí eu poderia, era muito mais fácil eu adquirir os documentos e estar regular. 

Em novembro de 2010, Matteo pede Valéria em casamento


Roger - A sua história com seu marido é muito bonita, mas não são só flores. Conta para os nossos leitores, o que houve em sua primeira viagem com ele lá em Milão

Valéria - Estava irregular, mas mesmo assim eu conheci vários lugares daqui, mesmo estando irregular, conheci Verona, Veneza, Firenzi, Milão, conheci muitas regiões bonitas que são conhecidas pelo mundo inteiro. E como eu sempre fui louca por sapato (risos), eu tinha muito sapato, acho que é porque na minha infância eu não podia ter tanto e quando eu pude ter sapatos eu saia comprando  o que via pela frente. 

Matteo e Valéria em Milão na época 
em que aconteceu o fato narrado por ela. 
E aí a gente foi passear em Milão, uma das ruas onde tem muitas lojas e tal. Aí eu vi uma vitrine com  sapatos lindos e maravilhosos e eu bem simples né? Jeans, ténis, muito simples. Entrei na loja e vi um sapato, fiquei louca! 
                    Aí quando eu entrei na loja, o atendente olhou para mim dos pés a cabeça e fingiu que eu não tinha entrado, depois ficou me seguido, atrás de mim. Aí eu perguntei o preço para ele do sapato, eu estava sozinha dentro da loja,  perguntei o preço do sapato, ele olhou para mim do pé a cabeça  e falou assim: 'É caro!'. Aí eu fiquei sem graça e falei: 'Tá, mas quanto?'. Aí na hora, meu marido estava entrando na loja, e quando ele entrou, ele faltou me colocar no pedestal, esse vendedor. 'Vem cá, custa tanto, se você quiser você pode provar, qual o seu número', mudou completamente o modo de me tratar. Aí eu falei para o meu marido, 'não vamos, vamos, que eu não gostei não'. Aí ele (o vendedor), ficou insistindo para mim, 'eu disse, não, não vou provar não, porque é muito caro'. Aí foi que ele entendeu, e me perguntou o que tinha acontecido. Aí eu falei: 'O rapaz me olhou do pé a cabeça e depois falou que o sapato era caro, só que depois que ele entrou, ele mudou a atitude e falou que se eu quisesse eu poderia provar, perguntou o meu número, mudou completamente'. 

            Valéria contou que o mesmo fato já havia acontecido com ela no Shopping Pátio Brasil em Brasília. 

Roger - Você também fala sobre a discriminação que acontece aí entre as extremidades, do sul para o norte. Como é isso, a maioria dos brasileiros acham que isso só acontece aqui no Brasil.

Valéria - Negativo, não acontece só no Brasil. Talvez um brasileiro branco ele seja muito melhor tratado aqui do que um brasileiro negro como eu. Mas racismo tem e como. Eu moro na região norte da Itália, que é uma das regiões ricas, aqui mesmo dentro do país tem essa rivalidade, como no Brasil, o sul que não gosta do nordeste e aqui é a mesma coisa, o norte que não gosta do sul. Tem essa discriminação. E agora, com a situação que está agora, com os refugiados, com pessoas que estão deixando os seus países para tentar uma vida melhor, a situação está piorando cada vez mais. Nível de tolerância zero com os estrangeiros. E aqui tem sim, eu já passei por muitas coisas, no meu primeiro trabalho, trabalho em loja, sou vendedora de loja aqui e aí na loja onde eu trabalhava, tinha uma senhora de idade e aqui para trabalhar em lojas eles querem as novinhas, não querem senhoras. E ela tinha já quase uns 55 anos na época (2012). Trabalhava uma lésbica assumida, uma negra africana e eu negra brasileira. Um dia veio um cliente, estávamos eu e a africana, duas meninas negras, ele olhou pra gente e perguntou: 'por que que na loja tinha duas pessoas como a gente'. E eu tão ingênua, olhei pra ele e respondi: 'por que a gente sabia fazer o nosso trabalho, mas sobretudo porque a gente era especial'. Teve outra vez também em outro emprego, eu estava arrumando as coisas na loja e passa duas pessoas e falam: 'olha ali a marrom, a marrom aqui é o modo de falar, olha ali a negra, tipo modo depreciativo de falar'. E aqui tem muito e não só aqui onde eu moro, mas em qualquer lugar do mundo. Quando eu ando na rua com meu marido, por exemplo, eles olham para gente do pé a cabeça, como se diz, como um rapaz desse está com uma menina dessa. E agora também com os meus filhos, porque eu tenho duas crianças e elas são mais clarinhas do que eu, olham muito diferente para gente. Sobretudo, pra mim, não sei.. eu sinto isso, sinto muito na pele, mas não me deixa pra baixo, me fortalece mais. 




Roger - Teve outro fato que você também cita, que foram as pessoas que vocês conviviam suporem que estaria com ele por algo, interesse. Você também fala que os poucos amigos que tinha, se afastaram. Como hoje em dia esses amigos olham para vocês? Porque onze anos depois, uma relação foi construída, uma história de amor foi muito bem construída, vocês se casaram, tem dois filhos. Essas pessoas que eram contra ou olhavam estranho para vocês, sente que de alguma maneira, pediram desculpa para vocês?

Valéria - (Risos). Algumas pessoas se afastaram mais dele do que de mim, porque eu estava chegando agora, mas com o passar do tempo, a gente percebeu que algumas pessoas próximas se afastaram. Ninguém nunca falou nada pra gente diretamente, mas o fato  de ser brasileira, aqui brasileira é muito mal vista, ela é vista como a prostituta, a garota de programa. Algumas pessoas me olhavam um pouco do pé a cabeça sempre, porque eu sou muito simples, sempre fui e continuo sendo, até o modo de vestir, como elas se vestem (italianas) e o modo como eu me vestia, eu notava um certo tipo de indiferença. A gente nunca se preocupou com isso, aliás no início sim, eu me sentia um pouco pra baixo, porque eu não conhecia ninguém e o meu interesse era de conhecer pessoas novas, fazer grupos e tal. E assim, como a gente era meio que renegado, eu fui depois deixando pra lá, fui depois não querendo mais saber, em certas ocasiões eu não ia, e hoje em dia eu digo logo na cara, que eu não vou, eu não quero ir, porque eu só vou em lugares onde eu me sinto bem e também só me relaciono com quem me sinto bem. As pessoas logo no início da nossa relação, existem e a gente preza muito, matemos contato, são poucos são, mas boas, o importante é isso!

            Valéria também contou que dentro da sua própria família as pessoas a questionavam se a relação com o marido era verdadeira, se não era uma invenção de sua cabeça. 

Valéria - Pessoas da minha família duvidaram do que eu vim fazer aqui, de como foi construída a minha vida, a minha relação. Então como eu sempre pensei, 'não devo nada para ninguém, sei do esforço que eu passei, das batalhas que eu lutei, então fiquei muito tranquila. Não tenho desprezo por isso. As vezes eu acho que eu fico até feliz porque reflito, 'nossa você pensou isso e olha como está tudo hoje'. É isso que eu penso.

Roger - Quando você passava por essas situações que no mínimo são constrangedoras, quando você chegava em casa e conversava com seu marido o que ele falava?

Valéria - Ele ficava muito triste né porque não esperava que fosse realmente assim. Como a gente sabe o racismo é muito antigo, mas não pensava que era assim. Ele me tranquilizava, para mim não ficar pensando tanto nisso, seguir em frente. De não ficar triste porque essas pessoas são menores, de não me abalar por esse tipo de atitude e foi isso que eu ia fazendo. Ficava muito zangada, mas aí eu falava, 'eu sou melhor do que isso, então vou manter a calma e ignorar esse tipo de coisa'. É o que eu fiz realmente durante muito tempo é ignorar, até hoje ignoro e deixo passar, porque quem perde é quem tem esse tipo de sentimento, se é que pode dizer que isso é sentimento, eu só tenho a ganhar. 

Roger - Há um tempo atrás eu li na UOL, a entrevista de um rapaz, brasileiro, negro com black power, que estava na Alemanha e as pessoas acabavam o olhando demais e ele se sentiu muito constrangido naquela situação. Você disse que tem algumas pessoas que te olham diferente. Tem muita gente aqui que não tem esse ideia, especialmente quem nunca saiu do Brasil. Você também já passou por situações semelhantes. Acha que todo negro que vai para a Europa, passa vir passar por isso também?

Valéria - Sim, sinceramente sim! Acredito que sim! As exceções são para famosos, esportistas que o mundo inteiro conhece, tipo Usain Bolt, se é uma pessoa desse calibre não, mas se é uma pessoa normal, que desce no aeroporto e tenta entrar no país, mesmo com todo tipo de documento, ele vai ser discriminado. E sobre o fato que você comentou do rapaz com cabelo black (risos). Aqui até com cabeleireiro, porque aqui não tem cabelo black, cabelo afro como o meu e como no Brasil. Eu ia no salão, na época eu usava aqueles produtos químicos para alisar o cabelo, uma certa vez eu fui com o cabelo natural, a mulher falou que o cabelo era muito duro, que o meu cabelo era duro. E foi pra mim um constrangimento tão grande, que a primeira coisa quando cheguei em casa, eu passei alisante no meu cabelo. Passei porque me senti constrangida, então assim, eles têm esse modo de falar: ' nossa seu cabelo é lindo, ah mas é muito difícil pra pentear né? Não entra pente, como você penteia, como faz penteado nesse cabelo desse jeito e ele molha?'. São esses tipos de perguntas que eles fazem. Até com meu filho pequeno, mas esse cabelo aí não é muito bom de pentear não! Aí por questão de conhecer meu cabelo eu falo, 'nossa você sabia que meu cabelo é o mais frágil de todos, justamente por ele ser assim enrolado'. Então comecei a dar respostas, não mal educadas, mas que os deixasse sem respostas. Pode ter certeza que até mesmo em brasileiros tem o preconceito aqui. Porque já passei preconceito aqui de brasileiros. Fui tentar fazer amizade e eles se desfizeram por ter algo a mais,  por ter a pele mais clara, ou não querer mesmo

Roger - Você faz um curso de formação em outro país, como era o curso?

Valéria - Até chegar no curso de formação tem muita história, porque como eu tive que casar para ter os documentos. Quando casei, que tirei todos os documentos, que comecei a fazer as coisas, comecei a escola, fiz a escola aqui para tentar fazer alguma coisa. Aí eu com 24 anos, na sala com meninos de 12 a 13 anos, vocês não fazem ideia do quanto sofri bullying por eles. Fizeram bullying comigo, não me deixavam em paz. 
                    Aí eu desisti, de continuar na escola e na desistência surgiu a oportunidade de fazer o curso, que era um curso profissionalizante e ai eu fiz, durante um ano. Foi ai que eu consegui melhorar meu italiano, porque como eu estudava a língua, escrevia muito, seja na escrita e pronuncia. Aí as portas começaram a ser abertas, depois desse curso. Porque antes, eu fiz outros trabalhos, para uma agência de limpeza, duas vezes na semana,  limpava um banco aqui, banheiros e áreas do banco. Trabalhei como babá, para uma criança, nunca fiquei de mãos abanando, sempre procurei fazer algo. 

Roger - Você têm dois filhos e culturalmente os dois países são bem diferentes. Como vocês trabalham essa construção nos dois, quanto a cultura brasileira e a italiana. Como lidam com isso?

Valéria - Culturalmente eu tento passar a minha e a italiana a gente vive aqui, então por consequência eles já têm. A única coisa que eu estou errando muito e não estar falando português diretamente com eles, mas eles endentem tudo. Meu filho por exemplo, ele é amante de futebol, mas aqui na Itália o futebol e um dos primeiros esportes, mas em questão de cultura a gente está passando as duas. 

Roger - E eles já vieram para cá?

Valéria - Não ainda não. Eles iriam em 2020, estávamos programando, mas o Covid atrapalhou os planos. 

Roger - Quando você olha para trás e agora para o futuro, você saindo do Maranhão e você ai na Itália o que você falaria para aquela moça, jovem, cheias de sonhos, querendo uma oportunidade para mudar sua realidade?

Valéria - Eu bateria assim nas costas dela e falaria: 'Você é uma guerreira, você no sentindo bom, você é uma mulher do caralho, você lutou e conquistou'. Porque nada vem fácil, nada vem fácil, 'então você é foda', eu diria!

O casal no Maranhão


Roger - Você (aliás me arrepiava sempre quando me contava algo e me sinto honrado em contar sua história e quero te visitar aí, para contá-la no canal) tem toda propriedade para dizer para os outros que querem mudar de vida, sobre ter fé em si mesmo, sobre correr atrás dos seus objetivos. Para pessoas que têm sonhos, mas não saem do lugar, pessoas que sentam na janela e veem a vida passar. O que você falaria para essas pessoas?

Valéria - O meu conselho principal é não deixar de sonhar. Se tem um objetivo, já não deixa de sonhar. E correr atrás do seus objetivos, não ficar olhando o tempo passar. A gente acha que a grama do vizinho é sempre verde, mas não é! Pra você foi muito fácil, não, nada na vida vem fácil. Primeiramente pedir a Deus, e depois lutar, não ter medo, uma das coisas que eu aprendi foi não ter medo, ir mesmo com a cara e a coragem, porque quando a gente realmente quer uma coisa, a gente corre atrás e não espera cair do céu.

             Não deixa as oportunidades passarem, porque as vezes elas batem ali na porta e a gente deixa elas passarem. Isso eu sempre levei comigo, não deixei as oportunidades passarem nunca. Também nunca tive medo de errar, de fracassar. Eu já fracassei, já errei, mas continuei, porque eu queria algo melhor. Não tenha medo de errar e nem de fracassar, porque eles são só um aprendizado a mais. 

Roger - E para quem sonha em morar na Itália, quais são os conselhos?

Valéria - Eu falaria vem (risos), mas assim... É um país super tranquilo, em nível de saúde é um país muito a frente. Violência aqui, muita gente me pergunta quando posto stories com o telefone, se eu não tenho medo de alguém me levar o telefone. Não, graças a Deus isso aqui não tem. Se você tem vontade, eu te aconselho porque é um país tranquilo. Se você não se importar com pequenas coisas que acontecem, como olhares, um disse me disse, se não se importar com essas coisas, você vive muito bem. É um país caro, mas se você tiver força de vontade de trabalhar, no fim das contas você vive muito bem. Aqui a maioria da população tem um poder aquisitivo melhor, pode ter um veículo, uma casinha. É um país tranquilo. Não é o melhor país do mundo, mas pra se viver, pra ter uma vida digna sim. 











Comentários

Anônimo disse…
Pensei que os italianos fossem mais educados. Essa moça sofreu coitada! Parane´s pela historia de vida dela
Anônimo disse…
Tem que tomar cuidado msm
Anônimo disse…
História triste, mas comovente é que da estímulo à muitos grnte
Anônimo disse…
Muito comovente a história. Uma superação inabalável. Deus tem um propósito para todos.

Que tal um pijaminha para viajar, da grife do ex-BBB Tiago Abravanel

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