Disney aposta em inteligência artificial para criar personagens capazes de estabelecer conexões emocionais com visitantes a partir de suas memórias.
Imagine visitar um parque da Disney, encontrar um personagem conhecido e, em vez de ouvir uma frase ensaiada, conversar sobre uma lembrança especial. A partir dessa história, o personagem poderia responder de maneira personalizada, relacionando a experiência do visitante às suas próprias histórias fictícias. Essa possibilidade está entre as propostas de tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas pela Disney. A empresa teve duas patentes relacionadas ao assunto concedidas nos Estados Unidos em 8 de setembro de 2026. Uma delas descreve personagens interativos capazes de adaptar suas respostas a partir das informações compartilhadas pelo público. A outra aborda a criação de conteúdos personalizados com base em lembranças e em seus aspectos emocionais. Os documentos estão disponíveis no escritório americano de patentes.
A proposta vai além de fazer um personagem responder a perguntas. O sistema descrito nos documentos utiliza inteligência artificial para identificar elementos de uma história contada pelo visitante e compará-los com informações associadas ao personagem. Com isso, a tecnologia pode selecionar respostas que tornem a conversa mais natural e pessoal. Na prática, uma pessoa poderia contar uma experiência marcante, falar sobre alguém importante ou recordar uma viagem especial. O personagem usaria elementos dessa conversa para elaborar uma resposta relacionada à história. Dependendo da implementação, a interação poderia incluir falas, expressões faciais, gestos e movimentos. A tecnologia também prevê a possibilidade de criar conteúdos artísticos personalizados. Um dos documentos descreve um sistema que identifica características de uma lembrança, considera seu contexto emocional e utiliza essas informações para produzir uma composição criativa. Isso abre espaço, por exemplo, para experiências envolvendo músicas personalizadas.
A tecnologia já está nos parques da Disney?
Apesar de a proposta chamar a atenção, é importante separar o que está documentado daquilo que ainda é uma possibilidade. A concessão de uma patente protege uma tecnologia descrita em um documento, mas não significa que ela já esteja pronta para ser utilizada comercialmente. Até o momento, não há confirmação de que esses sistemas serão implantados no Walt Disney World, na Flórida, ou em outros parques da companhia. Além das patentes concedidas em setembro, novos documentos relacionados a personagens com inteligência artificial foram publicados em outubro. A publicação de um pedido de patente, porém, não deve ser confundida com sua aprovação definitiva. Também não foram anunciados prazos para a implementação dessas experiências nem detalhes definitivos sobre como elas funcionariam em atrações abertas ao público.
Uma nova forma de interagir com personagens
A proposta levanta uma questão interessante para o futuro do turismo: até que ponto a tecnologia poderá tornar uma experiência mais pessoal? Nos parques temáticos, encontrar personagens como Mickey, Minnie ou Olaf já faz parte da experiência de muitos visitantes. Com sistemas de inteligência artificial capazes de adaptar conversas, essas interações poderiam ganhar novas possibilidades, especialmente para crianças e famílias que desejam transformar a visita em uma lembrança marcante. Ao mesmo tempo, o uso de informações pessoais exige atenção. Caso uma implementação envolva a coleta ou o armazenamento de histórias e outros dados dos visitantes, será importante conhecer as regras de privacidade, o tratamento dessas informações e as opções oferecidas ao público. Por enquanto, o que existe é uma proposta tecnológica documentada, e não a confirmação de que os personagens já estejam utilizando esse sistema. Ainda assim, as patentes mostram uma das direções que a inteligência artificial pode seguir no entretenimento: criar experiências que vão além de uma interação padronizada e respondam de maneira mais individual a cada visitante. |