Casal recém-casado morre em queda de helicóptero na Grécia, acendendo alerta para segurança; relembre outros casos recentes
Um casal britânico recém-casado morreu na segunda-feira (17) após o helicóptero em que viajava cair na ilha de Sifnos, na Grécia. Alexander Cromie, de 31 anos, e Marie Ebert, de 30, estavam em lua de mel e seguiam para a ilha quando a aeronave caiu poucos minutos antes do pouso. O piloto, Giorgos Raikos, também morreu.
O helicóptero era um Bell 206 e havia partido de Markopoulo, próximo a Atenas. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa local, testemunhas relataram ter ouvido um ruído incomum antes da queda. A possibilidade de uma falha mecânica está entre as linhas investigadas, mas a causa do acidente ainda não foi oficialmente determinada. Como medida preventiva, as autoridades gregas determinaram verificações nos helicópteros do mesmo modelo.
A tragédia volta a chamar atenção para os cuidados que turistas devem ter ao contratar passeios de helicóptero, avião ou outros voos panorâmicos durante uma viagem. Embora esses serviços sejam oferecidos como experiências turísticas e, muitas vezes, pareçam simples de contratar, o passageiro está entrando em uma operação de aviação e alguns minutos de pesquisa podem fazer diferença.
Antes de comprar um passeio, o primeiro passo é descobrir exatamente qual empresa será responsável pelo voo. Não basta verificar se a agência de turismo, hotel ou plataforma onde a experiência foi comprada é conhecida. É importante identificar o operador aéreo que efetivamente realizará o transporte e verificar se ele possui autorização para prestar aquele tipo de serviço no país.
Também vale conferir se a empresa informa claramente qual aeronave será utilizada, quem é o operador responsável, quais são as condições para cancelamento por causa do clima e quais seguros estão incluídos. Em operações regulares de transporte aéreo, a existência das autorizações e certificações exigidas pelas autoridades de aviação é um dos pontos mais importantes a serem verificados.
Outro cuidado é desconfiar de ofertas muito abaixo do preço praticado por outras empresas. O valor, sozinho, não determina se um passeio é seguro, mas uma diferença muito grande merece investigação. Antes de fechar a compra, procure avaliações recentes de outros passageiros e, principalmente, informações sobre a empresa em fontes oficiais, em vez de confiar apenas em comentários publicados na própria página de venda.
Também é importante não ignorar as condições meteorológicas. Mesmo que o passeio esteja confirmado, o tempo pode mudar e o piloto ou a empresa deve ter autonomia para cancelar ou adiar a operação quando as condições não forem adequadas. O turista não deve pressionar a empresa para realizar o voo apenas porque já pagou ou porque aquela é a única oportunidade disponível durante a viagem.
No Brasil, uma das referências para esse tipo de consulta é a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que disponibiliza informações sobre empresas e operações da aviação civil. Em outros países, o turista deve procurar a autoridade de aviação responsável pelo local onde o passeio será realizado. Na Grécia, por exemplo, as operações de aviação comercial estão submetidas às regras europeias de segurança e à supervisão das autoridades de aviação.
O alerta ganha ainda mais força diante de outros acidentes recentes envolvendo turistas e voos realizados durante viagens. No dia 1º de agosto, um avião turístico operado pela Aerodiana caiu durante um voo sobre as Linhas de Nazca, no Peru. As 13 pessoas que estavam a bordo morreram, sendo 11 turistas estrangeiros e dois tripulantes peruanos. As autoridades investigam as causas da queda.
Em junho, no Rio de Janeiro, dois helicópteros colidiram no ar e caíram na região oeste da cidade. As seis pessoas que estavam nas duas aeronaves morreram. Entre as vítimas estava o cantor e comediante americano Oliver Tree, segundo as autoridades e as reportagens publicadas na época. A investigação sobre as causas do acidente também foi aberta.
E os acontecimentos recentes no Brasil levaram a própria ANAC a adotar novas medidas. Em agosto, a agência suspendeu quatro empresas de voos panorâmicos no Rio de Janeiro depois de três acidentes com helicópteros em oito meses, que deixaram 13 mortos. Segundo a apuração divulgada pela imprensa, foram identificados indícios de irregularidades relacionados ao registro do tempo de voo das aeronaves, informação que pode ter impacto nos controles de manutenção. A agência também anunciou uma revisão das regras para voos panorâmicos.
Os acidentes não significam que passeios de helicóptero ou voos turísticos sejam, por si só, atividades inseguras. Também não há, até o momento, qualquer indicação de que os casos da Grécia, Peru e Brasil tenham uma causa em comum. São acidentes diferentes, em países diferentes e envolvendo operações distintas. O que eles mostram é a importância de o passageiro não tratar a segurança como um detalhe na hora de escolher uma experiência turística.
Antes de embarcar, portanto, pesquise quem está oferecendo o passeio, quem efetivamente realizará o voo, se a operação é autorizada pela autoridade de aviação local, quais são as condições meteorológicas previstas e quais medidas são adotadas caso alguma condição de segurança não seja atendida.
Uma experiência turística pode proporcionar algumas das melhores lembranças de uma viagem, mas a escolha do operador não deve ser feita apenas pelo preço, pelas fotos ou pela quantidade de avaliações positivas. Quando o passeio envolve uma aeronave, a segurança precisa estar entre os primeiros critérios da decisão e não ser uma preocupação apenas depois que acontece uma tragédia.